Em meio a tantos compromissos, confusões, lágrimas e risadas acabei me esquecendo de me decidir. "Mas decidir o quê?" Nem eu mesma sei. Não tinha reparado que nem eu mesma sei quem eu sou, o que deveria ser e nem o que vou me tornar, e é muito difícil obter respostas rápidas e práticas pra essas perguntas em pouco tempo.
Sempre fui de perguntar e ir atrás de respostas, sempre fui fã de uma boa explicação e nunca confiei no escuro. Por que, ultimamente, ando sem rumo em meio a tantas dúvidas e solidão? Por que continuo fazendo o contrário do que falo e acredito? Por que os pontos finais estão me entediando e as interrogações me atraindo?
Nunca me senti tão viva a noite e tão vulnerável ao longo do dia. Talvez eu esteja passando por algum tipo de transformação, uma fase, ou simplesmente enlouquecendo... E isso não me parece algo ruim. Não me preocupar com o que penso, com o que devo fazer ou com o que devo realmente me importar. Viver e sentir o verdadeiro gosto doce e forte da vida passando, como um fio de mel escorrendo pelos lábios e deixando o sabor na língua como quem quer deixar saudades no coração. Mas não há como sentir falta de algo que não se vai enquanto você não fechar os olhos. A sensação de estar livre e cheia de si permanece desde o primeiro gole de café até o último suspiro aliviado após me deitar.
Passo em claro a noite, imaginando estar realmente louca e vagando por todos os lugares possíveis, até mesmo por aqueles quais vejo com tanta frequência e nunca reparei com o devido olhar de admiração e surpresa por perceber que até naquela rua vazia e gelada há alguma novidade e uma beleza diferente, que me acolhe como se me esperasse a cada visita rápida e indiferente naqueles dias de sol quente e coração frio. Já o dia é dominado por pesadelos vividos a olhos abertos, cheio de inquietação na alma e dominado por vontades de fugir para qualquer lugar onde as mãos não suem frio e os gestos não sejam forçados... Fugir para um lugar onde ser eu mesma possa ser algo real, e não uma ideia imposta na mente de quem acreditou no alheio desde o próprio nascimento.
Pensando bem, não sei se nasci ou estou apenas me preparando pra sair desse lugar incomodo e complicado que estou tentando entender. Acho que boa parte da vida é apenas sobreviver e questionar, o que eu estou ansiosamente esperando ainda está por vir: O prazer e o privilégio de vivenciar o que muitos não conseguirão, a liberdade de ser quem eu realmente sou.
