Nem amor, nem amigos, nem livros. Nada consegue preencher esse espaço oco dentro de mim tão sensível que parece deixar passar uma leve brisa que circula dentro do meu corpo, chegando ao ponto de eu sentir até água escorrendo e pingando até a outra extremidade desse espaço em branco no meu interior.
Quando escuto músicas, é possível sentir as palavras entrando pelo meu ouvindo e caindo lentamente nesse buraco negro, que absorve tudo só para ser capaz de sentir algo, mas nada acontece. As palavras permanecem la por um tempo, sobem até a minha cabeça e ficam lá pelo resto do dia... depois elas somem como o vapor guardado dentro de uma panela de pressão recém aberta.
As vezes esse buraco negro expressa uma dorzinha, as vezes me faz sentir livre e até já me causou um certo calor, uma ansiedade por esperar que ele estaria prestes a sumir... Mas não sumiu. Permaneceu, silencioso por quanto tempo quisesse.
Me acostumei. Será que comodidade prejudica? Não tento mais tampar esse vazio, muito pelo contrário, já me peguei tentando deixá-lo mais fundo! Afinal, não sentir é algo tão ruim assim? Há tantas pessoas sofrendo com seus sentimentos... e eu não sinto nada. Tenho momentos felizes e cheio de risada e bons momentos, tenho dias longos com uma grande porção de depressão e várias lembranças. Mas como eu sou? Não sei definir...
Sou triste? Sou feliz? Sou como a rocha que permanece quando os grãos de areia (tão parecidos com sentimentos) são levados pela brisa do mar (que tanto se parece com o tempo). Sou oca como a árvore que guarda e protege os animais até eles se sentirem seguros o suficiente para procurar uma árvore melhor. Sou vazia como o copo deixado na pia após ser esvaziado derramando água na boca de alguém com sede. Mas principalmente, sou livre como o vento (que passa encostando na minha pele e entra dentro do meu vazio por pura diversão e sai quando bem tiver vontade) em uma tarde morna: andando sem rumo e soprando aos ouvidos de quem aparecer pela frente. Algo desnecessário, porém agradável.

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